Esqueça o estereótipo. Ele é banqueiro, ongueiro e brasileiro. Não, não exala tensão ou fica amuado entre cifras e dividendos. Ele é a cara mais serena do novo sistema financeiro. Self-made man dos trópicos, budista, não tem medo de fazer sucesso. Crença: acredita no poder do Universo, mas não numa força superior que possa ser chamada de Deus. Especializado em crédito consignado, é engajado, festeiro e, pasmem, solteiro. Entre juros, merendas e celebridades, apareceu meio de repente no jet-set nacional. Um pedaço de mal caminho.
segunda-feira, 14 de março de 2011
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
mauá - desbunde
Visconde de Mauá continua um pequeno paraíso, como se fosse um país miniatura fundindo três estados, três sotaques. Mesmo que sua estrada de acesso dê algum medo com as chuvas, mesmo que sua imponência hídrica se torne algo comum ao viajante e ao morador local, ao trillhar ramificações tão generosas. Qualquer artificialismo do comércio não impede a glória e a dádiva dos banhos, das plantas e dos animais nos locais mais simples e afastados. Ali, a vida pode se tornar sempre presente, um presente respirado de prazer, tanto no sentido objetual quanto temporal. Àqueles que puderem visitar, uma dica é alugar, por exemplo, um chalé do Mineiro, lugar extremamente honesto, no vale de Santa Clara. Pequenas casinhas em meio a uma linda orquestração de bichos e plantas, próximas a lindas cascatas. Quero morar num local assim um dia.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Almeida Prado professor
Há duas semanas morreu um dos nossos melhores compositores, Almeida Prado.
Se a produção é grande e oscila bastante, o que fica forte na minha memória é sua sensação de fé na criação, no sentido amplo de ambas as palavras, e muito além de seu catolicismo fervoroso ou da música.
Existe um certo consenso de que as Cartas Celestes formam sua obra mais
expressiva, mas talvez seja simplesmente a mais impressionante, pelo fato de ter sido um pianista excelente. Era uma pessoa bastante engraçada e apaixonada. Grande contador de histórias.
Suas aulas eram geralmente shows ao piano, histórias vividas, com bem pouca prática de escrita.
Ele mostrava que, de alguma forma, é no nosso "âmago" que a composição deve nascer, não das aulas
de um professor.
Enquanto os pianistas mais ortodoxos sempre observavam que suas Cartas
viravam outra coisa a cada vez que tocava, pouco a ver com o que havia escrito,
os estudantes de criação viam isto com olhos diferentes, viam diante deles que o processo de criação
é basicamente isto.
Nunca me esqueço da sua descrição do anjo da guarda, pois descreveu o que eu havia visto antes, tendo por testemunha meu grande amigo Cesar B. Isto foi motivo de duas semanas de piração pessoal.
O que mais nos marcava não era algum aprendizado de composição, mas um aprendizado de como viver
a criação musical de forma devocional e apaixonada.
Fica aqui nosso sentimento e nossa admiração.
Se a produção é grande e oscila bastante, o que fica forte na minha memória é sua sensação de fé na criação, no sentido amplo de ambas as palavras, e muito além de seu catolicismo fervoroso ou da música.
Existe um certo consenso de que as Cartas Celestes formam sua obra mais
expressiva, mas talvez seja simplesmente a mais impressionante, pelo fato de ter sido um pianista excelente. Era uma pessoa bastante engraçada e apaixonada. Grande contador de histórias.
Suas aulas eram geralmente shows ao piano, histórias vividas, com bem pouca prática de escrita.
Ele mostrava que, de alguma forma, é no nosso "âmago" que a composição deve nascer, não das aulas
de um professor.
Enquanto os pianistas mais ortodoxos sempre observavam que suas Cartas
viravam outra coisa a cada vez que tocava, pouco a ver com o que havia escrito,
os estudantes de criação viam isto com olhos diferentes, viam diante deles que o processo de criação
é basicamente isto.
Nunca me esqueço da sua descrição do anjo da guarda, pois descreveu o que eu havia visto antes, tendo por testemunha meu grande amigo Cesar B. Isto foi motivo de duas semanas de piração pessoal.
O que mais nos marcava não era algum aprendizado de composição, mas um aprendizado de como viver
a criação musical de forma devocional e apaixonada.
Fica aqui nosso sentimento e nossa admiração.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
uso de filosofias
Depois de discutir alguns temas com um grande amigo, sinto que um dos problemas sérios da elite intelectual atual é o usar filosofias ou até "ciências" recentes para justificar práticas supostamente "sociais" sem, de fato, agir para o benefício de quem precisa mais. Um intelectual querer permanecer no gabinete?Sem problemas. Há diferentes formas de trabalho. Depois de deixar o trabalho na periferia, decidi agora entrar no gabinete por um bom tempo. Mas é preciso ser honesto, há quem use discurso como estratégia de marketing social e quem use para de fato tentar compreender e agir onde é necessário. Com o uso de filósofos recentes, isto acontece a torto e a direito. Um seguidor pode até usar seus conceitos livremente e fazer belos discursos. O problema não está apenas na deturpação dos conceitos a partir de um uso mais livre, mas na forma como eles são usados para justificar práticas individualistas camufladas com enfeites sociais, as vezes maqueadas de uma suposta atuação social que só traz algum efeito a uma elite seduzida. Outro dia um seguidor de uma destas seitas filosóficas me disse: o problema da esquerda é que ela opera sobre uma falsa demanda..haha...nada mais claro: o que interessa a ele é a demanda, ou seja, a clientela. E quem é a clientela dele? Os filhos de papis, aqueles que também somos ou fomos. Nada mais conformista socialmente. E assim, o uso de uma filosofia ou de uma ciência para justificar a venda de uma autoimagem social pode se tornar finalidade primeira de um intelectual. é preciso ter cuidado com estes sedutores da palavra, é preciso ver o que de fato fazem, não o que falam e propagandeiam sobre uma prática elitizada que pode chegar ao ponto de usar pessoas com necessidades especiais. Você não vê estes dom juans da palavra atuando regularmente na periferia, a clientela é sempre outra. Mas por que, se o discurso categórico (com nomes de conceito bonitos) a respeito do social é tão eloquente? Decidi parar de ir ao Capão por morar longe, mas lá via de tudo , mas com a diferença de que havia também gente de verdade, atuando de verdade, para as pessoas que precisam de verdade. Não gente vendendo autoimagem e iludindo a própria elite intelectual a que pertencemos. Em BH, a ação era bem mais efetiva, pois era morador do bairro e não havia a sensação ruim de ser o estrangeiro dando aulas gratuitas na comunidade. Essa é uma dificuldade que sinto aqui em SP. Mas nesses lugares não há categorias, você não é um nome com adjetivos de carreira etc. Você pode ser de fato um agente local de uma micro-política e só isto.
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